12 de ago de 2007

Jornalismo de Games é sério

Gente, essa é uma matéria que fiz para a faculdade e entrevistei o Pablo Miyazawa, a Renata Honorato, o Théo Azevedo e o Fernando Braga. É sobre a nossa futura profissão hehehe. Assim, vocês podem aprender um pouco de como surgiu essa nova forma de escrever.

Vejam aí.

Repórteres que escrevem sobre videogames falam com jovens em linguagem coloquial e de forma mais pessoal.

Quem pensa que videogame é coisa de criança está enganado. Os games viraram assunto sério com o surgimento do chamado Novo Jornalismo de Games. A invenção é recente. Em abril de 2005, foi publicada no jornal americano The New York Times uma matéria sobre o Novo Jornalismo de Games e foi a primeira vez que se ouviu falar no termo.

A especialização surgiu quando vários jornalistas do setor começaram a dar um toque mais pessoal às suas matérias, ao adotarem o uso de primeira pessoa, ao se aproximarem do estilo narrativo e ao serem um pouco mais passionais. “Como nosso público é especializado, e em sua maioria jovens, utilizamos uma linguagem mais coloquial e solta”, diz Fernando Braga, editor de suplementos do Correio Braziliense.

A nova forma de escrever surgiu naturalmente. Não foi uma imposição. “Hoje estimulo os meus repórteres a colocarem o lado pessoal nas matérias, além da investigação”, afirma Pablo Miyazawa, editor da revista Rolling Stone.

Os jornalistas que escrevem sobre games têm necessariamente de gostar do que fazem. “O jornalismo de games exige que a pessoa goste, caso contrário sempre irá tratar como subjornalismo. Quem trabalha como jornalista de games trata o tema como o melhor jornalismo que existe”, diz Pablo.

Por enquanto são poucos os especializados na área. Para Théo Azevedo, editor do site UOL Jogos, existe uma grande dificuldade de jornalistas formados há muito tempo se adaptarem ao estilo de escrita dos jogos. O site é atualizado quase de hora em hora, inclusive em finais de semana e feriados. “Esse tipo de jornalismo é feito por pessoas entre 18 e 38 anos; muitos ainda não são formados, mas entendem do assunto. Outros jogavam na infância e adolescência e em função disso acabaram transformando diversão em profissão”. A formação não é exigida, mas isso não quer dizer que ela atrapalhe. “Está se criando uma cultura de estudantes de jornalismo que querem se especializar em games para escreverem sobre isso. É uma coisa que não existia há uns cinco anos. O pessoal está levando a sério”, comenta Pablo.

E quem disse que mulher também não participa? São poucas, mas já existe um grupo feminino especializado no assunto. Pablo afirma que gostaria de ver mais. “As mulheres escrevendo sobre games dão um ponto de vista que ainda é bem distinto”, opina. Isso acontece pelo fato de os jogos serem muito sexistas. Renata Honorato, editora do canal de games do site iG, é uma das mulheres do ramo. Além do Arena iG, tem um blog direcionado para garotas chamado Game Girl no iGirl, onde fala de games em geral. Para Renata, não existe preconceito por ser mulher. “O começo é um pouco difícil, já que você precisa provar o tempo todo que sabe do que fala. Mas o mercado de jornalismo é como qualquer outro setor”, comenta Renata.

Muitas pessoas podem pensar que, ao trabalhar com games, terão mais tempo para jogar, mas não é bem assim. Os editores e os repórteres têm pouco tempo para se dedicarem à prática. “Achar que seguir carreira nesse ramo é passar o dia jogando é puro engano”, declara Renata. O jornalista de games tem de correr atrás de pautas, escrever e jogar, sim, mas nem sempre por prazer. “Jogar profissionalmente é diferente de jogar por diversão”, afirma Théo. O repórter precisa conhecer os jogos em voga no mercado e as novidades. Não é pré-requisito para o jornalista da área saber jogar. “Todo mundo joga, todo mundo gosta. Mas ninguém exige que as pessoas saibam jogar. A parte de jogar bem nós deixamos para as pessoas especializadas”, diz Miyazawa.

Os chamados “detonadores” são as pessoas pagas apenas para jogar determinado game e fazer a análise, conhecida como ‘detonado’, um roteiro de como terminar o jogo, com a utilização de estratégias. Eles, sim, precisam ser bons nos jogos, mas não necessariamente na escrita. Geralmente os textos vêm com muitos erros, o que dá mais trabalho para os jornalistas de games. “O ideal seria que nós pudéssemos e tivéssemos tempo para fazer os “detonados”. Mas hoje em dia os jornalistas de games são tão poucos que não queremos desperdiçar o talento deles de escrever um bom texto, uma boa análise, escrevendo o passo a passo de um jogo”, explica Pablo.

A indústria de games vem recebendo um tratamento especial, não só na mídia especializada, mas também na mídia em geral. Segundo Fernando Braga, a indústria de entretenimento eletrônico hoje movimenta mais dinheiro que a indústria de filmes de Hollywood. “É uma área que pega justamente o ‘filé mignon’ do mercado: o público jovem, informado e com a melhor renda”, diz Fernando. Os games, aos poucos, deixam de ser vistos como mero passatempo. Antigamente, era embaraçoso alguém falar que trabalhava com jogos. “Hoje em dia somos tratados com mais respeito”, diz Pablo.


Beijos e até a próxima,

Bruna Torres.

4 comentários:

Marco Paulo disse...

Post metafísico esse né. Legal. :D

Vinicius Longo disse...

Metafísico??? né MP?
:P

Gostei da matéria, só acho essa coisa de detonador e reporter muito surreal. Sempre quis ser detonador, mas nunca soube como iso funciona. Nunca conheci alguem que fosse pago por algum veiculo de comunicacao para fazer um passo a passo.

Acho que o reporter pode fazer os dois sim, mas acho que para isso, ele precisa se espeializar muito no mercado e não sei se já existe mercado para isso. De repente, no mundo dos jogos online quem sabe!

Vinicius Longo disse...

Só uma observação:
Acho que está faltando algum pedaço no primeiro paragrafo:

"Em abril d, foi publicada"

Guilherme Saydelles Guisbi disse...

Mais de um ano depois, Bruna, eu venho comentar o texto que tive acesso quando pensava sobre o que faria no meu TFG.Estou me formando e minha monografia será sobre o jornalismo de games. Meu objeto é a Revista EGM Brasil. Estou com problemas de conseguir bibliografia ou textos na internet mesmo que falem do surgimento da Famitsu e da EGM americana para que eu possa ontextualizar com a linha de tempo que tracei da história dos jogos eletrõnicos. Você teria algo pra me indicar? Abração,