24 de ago de 2007

Análise: Devil May Cry 2

Mesmo lançado há um bom tempo, tomei a liberdade de escrever também sobre jogos mais antigos, afinal de contas, é sempre bom ter uma base sobre o nosso sistema de análises. Além do fato de que um game não perde o direito de ser avaliado por já não ser lançamento.

É sempre curioso ver continuações de jogos tão promissores dando errado. Se manter a fórmula de jogos tradicionalistas para versões mais recentes (como os veteranos Street Fighter, Mega Man e Final Fight, ambos da própria Capcom) é muito mais difícil do que pode aparentar a princípio, chega a ser embaraçoso ver franquias que se iniciaram nessa geração tropeçando tão rápido. E o que fazia sucesso no excelente Devil May Cry, era justamente sua forma única de misturar um jogo de ação incrivelmente frenético, desafiante e com uma boa dose de exploração. Mesmo que inspirado em outro game da Capcom (nem preciso dizer qual), a capacidade do jogo em montar uma história simples, mas eficiente misturando personagens interessantes e carismáticos, é uma virtude igualmente agradável.

O fato é que, confiante demais do seu próprio acerto, Devil May Cry 2 foi produzido por uma equipe totalmente diferente. Isso já seria cruel para a franquia sem mencionar que temos aqui um time de amadores, então não fica muito difícil imaginar como é fácil arruinar muitos dos principais elementos do original. Se a parte gráfica merece aplausos, as musicas do game já cometem o primeiro deslize. Ao tentar deixar o jogo com uma cara mais dark, as boas melodias high-techs que misturavam um rock progressivo com musica eletrônica foram substituídas por faixas repetitivas e sem inspiração, com batidas mais pesadas de forma quase apelativa.

Mas o fator que sem dúvida mais contribui para o fracasso da continuação é a jogabilidade. O fato é que, caso o novo time de progamadores estivessem prestado mais atenção, seria possível perceber como alguns elementos do game-play de Devil May Cry 2 precisaria seguir. Ao criar cenários muito abertos, o jogo peca gravemente ao permitir a possibilidade de acabar com os inimigos apenas mantendo uma boa distancia (esmagando o botão que dispara a arma de fogo), e é ai que entra um outro ponto importante. Intencionalmente ou não, o jogo ficou fácil demais (não duvido que isso tenha sido proposital, para o game atingir mais pessoas e se tornar mais acessível, tanto para os jogadores quanto para os bolsos da Capcom). E mesmo que algumas coisas tenham sido ajustadas para o bem (como a localização dos botões) e a precisão continuar boa, não tem muita graça fingir estar fazendo combos incríveis em inimigos que parecem apenas esperar por eles. Ainda vale falar que não existem mais as carismáticas Alastor e Ifrit, agora substituídas por uma variedade grande de armas que não fazem muita diferença para o jogador. Até mesmo Ebory e Ivory foram substituídas pelas “simpáticas” handguns. Existe alguns pontos positivos nessa grande salada de frutas mas o problema é que a diferença entre usar uma ou outra arma (ou especial, como as transformações de super velocidade ou vôo) acaba não se tornando essencial em quase nenhum momento do game, o que é lamentável.Também é preciso comentar que a adição de uma nova (e desnecessária) personagem jogável até quebra o galho e torna e experiência mais longa.

Contando com uma das histórias mais pobres que eu já tive a infelicidade de assistir em um jogo de videogame, Devil May Cry 2 ainda sofre com a imaturidade na forma de colocar seus personagens dentro do game. Dante já não conta com seu charme divertido e seu sarcasmo inteligente habitual do primeiro game. Agora ele está sério, chato, e suas tiradas nunca funcionam (esperem até ouvir frases sofríveis como shut up, just die). Lucia também não acrescenta nada útil à história, e apesar de ser divertido ter um feeling diferente, tive uma sensação incomoda da “anjo-humana” (ao lado do “homem-demonio”, que idéia genial...) estar lá apenas para servir como divulgação do game de inúmeras formas. 2 personagens jogáveis... 2 dvds... 2 histórias... e por ai vai.


Por ultimo, gostaria apenas de deixar meu lamento sobre a falta de carinho para a produção de um jogo conceituado que ganhou tantos fãs em tão pouco tempo. Chega a ser risível enfrentar inimigos como “tanques-demonios” ou “helicópteros-demonios”, mas é constrangedor ver que Dante perdeu toda sua personalidade. Pelo menos agora até o demônio tem motivos de sobra para chorar. E nós também.

(As notas serão de 1 a 5 estrelas)


Fernando Rodrigues

3 comentários:

Dann disse...

Jogo tosco mesmo....pelo menos compensou no 3...mas "shut up and just die" foi foda...é como se o roteirista tivesse acabado de tomar um fora da mina dele, fosse num barzinho pra descontar e afogar as magoas, só tomou fora, viu sua amada com outro cara (que ainda olhou pra ele abandonado com ar de superioridade) e pra completar a breja tava quente e a musica ruim..e no dis seguinte ele foi escrever...quem sofre é o coitado do Dante...tadinho

Will disse...

Muito bom o blog! Esta de parabens!

Adorei sobre o assunto que vcs tratam.

Vou sempre entrar agora!
iuahauihauahuihiuahaiuha

Bkiss amiga

Lucas David disse...

Hum, Dante é assim calado, pois já está mais velho, e é ... hum... natural isso acontecer. A jogabilidade não ganha da do DMC3 ou do 4, mas foi 300 vezes melhor que a do 1º jogo. Da pra você ver claramente que o botão "pulo" (no primeiro) não é nada mais do que um botão de interação, tipo, ele executava diferentes pulos pra chegar em algum lugar, ou seja, você não fazia esforço pra técnica, agora esse já mudou completamente isso, tem uma naturalidade acentuada, embora peque um pouco na hora do combate. Os gráficos foram mesmo de arrasar, comparado ao 1º, e até ao 3º se olharmos pela tecnologia GC (O GC mais bem feito no 3º foi o surgimento Temen-ni-gru, onde mostrava a cidade). De modo geral, esse é pior que o 3º, mas muito melhor que o 1º, a quem muitas pessoas dizem que supera o 2º, mas acredito que pensem assim por que foi um jogo que marcou elas, pois era uma coisa completamente nova, e hoje em dia, diante de tantos trabalhos bem feitos, acredito que nem achem tão bom assim mais..

grato, Lucas.